14 de março de 2012

DICAS PARA TESTE DO 3° ANO


Professor Mário Júnior Twitter: @marioFMJunior 

PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA/REPÚBLICA VELHA:

É importante lembrar que a república no Brasil não foi fruto de um movimento popular organizado, mas de um movimento de um grupo insatisfeito com os rumos políticos do Império. Do lado dos descontentes estavam os cafeicultores de São Paulo e Minas Gerais que estavam revoltados pelo fim da escravidão sem indenização por, segundo eles, “perda de patrimônio”. É bom lembrar que os cafeicultores eram à base de apoio da monarquia, justamente por essa lhes garantir que a escravidão seria mantida. Após a proclamação o movimento republicano no Brasil consegue a adesão dos cafeicultores. Junto aos cafeicultores se unem os militares, que insatisfeitos com baixos salários e buscando sair da insignificância política passam a ser uma força a tramar contra a monarquia. A Igreja Católica também passa a ser uma força contrária ao governo de D. Pedro II devido ao choque entre as ordens do Papa em Roma e o fato do imperador impedi-las de serem aplicadas no Brasil (a questão da proibição de maçons na Igreja).
A república foi proclamada com a união destes pequenos grupos em 1889, o povo, na sua grande maioria, sequer sabia do que se tratava a movimentação de militares aliados com os grandes cafeicultores. Instaurada a república uma das grandes preocupações de militares e principalmente de cafeicultores era garantir o controle do poder e do sistema democrático. Na constituição republicana de 1891, o voto era aberto (não-secreto) apenas para homens maiores de 21 anos, alfabetizados. A intenção era reduzir ao extremo a participação política da população restringindo o eleitorado as classes médias e altas.
Na constituição de 1891 uma das estratégias era justamente não obrigar o governo a ceder educação pública e gratuita para a população, assim as classes baixas estariam impossibilitadas de pagar um ensino particular (bem caro na época) e estaria fora da política devido ao analfabetismo. Outras características da constituição de 1891 era a adoção das eleições estaduais e a separação entre Igreja X Estado, o que garantia a liberdade religiosa da população.
Na política o domínio foi de São Paulo e Minas Gerais que se revezavam no poder num acordo que garantiria os investimentos do governo centrados na exportação de café. O voto aberto facilitava a compra de votos por parte dos coronéis do interior, que negociavam favores com os candidatos em troca de votos nos seus “currais eleitorais”. A violência como forma de coerção política também era bastante comum. Nos estados apenas governadores aliados ao presidente conseguiam êxito nas eleições, em caso de vitória de algum opositor nos estados era acionada uma comissão eleitoral que invalidaria o resultado sob a alegação de fraude (da pra perceber que a vida das oposições eram bem dura)
Entre o povo houve manifestações antirrepublicanas no sertão e na cidade. No Rio de Janeiro a população se levantou contra a campanha de vacinação obrigatória(Revolta da Vacina) empreendida pelo governo. O povo protestava contra a violência e inconveniência dos agentes de saúde, bem como contra a pobreza o abandono dos governos, a exclusão social e os altos preços. Também havia por parte da população o medo, pois não conheciam o que eram vacinas e temiam assim por suas próprias vidas.
No sertão Canudos foi um movimento messiânico promovido por Antônio Conselheiro, que após anos peregrinando pelo sertão fundou no Arraial de Canudos uma sociedade comunitária que atraia os sertanejos e esvaziava vilarejos e fazendas desagradando aos coronéis(que perdiam empregados a cada dia) e a Igreja (que via Conselheiro como um lunático). O governo republicano também combatia Canudos por Antônio Conselheiro ser monarquista e por ele não aceitar a separação Estado x Igreja e o casamento civil. A repressão a Canudos se deu entre 1896 e 1897. Deixando mais de 30 mil mortos
O Cangaço também foi comum na época. Ao contrário do que pensam hoje o Cangaço não foi um movimento social organizado, com reivindicações de mudança ou reformas ou mesmo um protesto contra o poder dos coronéis. Na verdade eram grupos de ex-jagunços que num momento perceberam que não havia chance mínima de Ascenção social num nordeste castigado pela pobreza e pelos desmandos dos coronéis. Daí o banditismo social ter sido uma saída procurada por eles. A visão de Lampião como um Robin Hood dos sertões é um tanto equivocada, embora muito sertanejos o vissem, e ainda o veem, desta forma.

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